Runner in motion
Natura Kaiak Treatment por Gab Novis Ghost Treatments

KAIAK

NATURA
Dear Stranger Natura

Contents

Conheço bem a sensação de sair para correr no fim da tarde. O calor grudado na pele, o vento secando o suor, aquele frescor que fica no corpo depois que o movimento para.

O cheiro que resta na pele depois de uma corrida ao pôr do sol.

É essa a memória que quero construir com esse filme. Já filmei diversos projetos para perfumarias e posso dizer que AMO fazer perfume. DAVIDOFF Cool Water e Run Wild, Azzaro, Chloé, Nomad, Boticário... são só alguns dos exemplos. E tendo dirigido um dos primeiros filmes da Satisfy Running, torna esse projeto o melhor dos dois mundos.

Ao ler o briefing de Kaiak, me conectei imediatamente com o território sensorial da fragrância: corpo em movimento, frescor, a marca que fica na pele depois que alguém passa. Esse é exatamente o tipo de linguagem que busco como diretor, uma das sensações que a câmera consegue traduzir sem precisar explicar.

Tenho experiência direta com esse universo. Filmes com pegada sensorial, imagens em movimento, natureza, textura de corpo e água fazem parte do meu repertório. Mais do que referências, são territórios onde já operei e sei como extrair o melhor resultado. Já visualizo a equipe que vai trazer esse filme à realidade.

A premissa é simples: não queremos explicar a fragrância. Queremos que ela seja sentida.

TOM

Sensorialidade através de uma lente cinematográfica e experimental.

O filme vive entre o refinado e o orgânico. Imagens sensíveis e sensoriais convivem com intervenções mais experimentais, analógicas, com textura e grafismo. O tom é físico, refrescante.

Não queremos narrar o produto. Queremos que o espectador sinta o frescor, o calor, o vento, o spray. Cada corte carrega uma sensação tátil. A fragrância não aparece como objeto isolado; ela se dissolve no filme inteiro, em cada gota de suor, em cada onda quebrando, em cada borrifada.

O equilíbrio é fundamental: dosar o experimental com o bonito, o cru com o polido.

Sensorial reference
Sensorial reference
Sensorial reference
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CINEMATOGRAFIA
A linguagem será pautada no visual multimídia.

A base do filme opera em Alexa 35 com lentes anamórficas em steadicam para imagens cinematográficas, poéticas e precisas. Planos de corpo correndo ao pôr do sol no ambiente urbano, paisagens abertas, a luz dourada passando pela lente, macro de produto.

Sobre essa base, teremos camadas de textura. Pessoalmente, gosto de operar uma Scopic 16mm, trazendo grão de película, cor levemente deslocada, aquela imperfeição que faz a imagem respirar.

Paralelamente, uma segunda unidade com câmera VHS e fotos em filme captura imagens propositalmente borradas, fora de foco, com estética analógica. Essas imagens funcionam como intervenções na montagem, quebrando o ritmo com flashes sensoriais.

Slow shutter speed entra como mais uma camada de textura para incorporar blur de movimento, imagens que arrastam e borram, intercaladas com takes limpos. A imperfeição controlada reforça a sensorialidade.

Além dessas abordagens, gosto de adicionar a seguinte técnica: câmera entrando de cabeça para baixo, ou seja, ela gira e entra invertida, resultando num efeito que surpreende o espectador. B-rolls modernos com imagens rodando, ângulos invertidos, takes de baixo para cima. Esses momentos de desorientação visual pontuam o filme como suspiros sensoriais.

Contaremos com drone com spotlight para cenas noturnas, seguindo os personagens pela cidade. O feixe de luz irá acompanhar o movimento, criando silhuetas e contrastes dramáticos contra a noite.

Graphics and effects
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ESTÚDIO

Braço robótico. Luzes em movimento. Precisão mecânica.

Também teremos um braço robótico em estúdio para movimentos de câmera rápidos e precisos nos takes de produto. A velocidade e precisão mecânica do robot arm cria um contraste interessante com a organicidade das imagens de película e VHS: embalagem girando, borrifadas em macro, câmera adota fluidez que só o braço robótico entrega.

Aqui a iluminação também é dinâmica: luzes se movimentam pelo set, caminham ao redor do talento e piscam como elemento vivo da cena. Transitamos entre luz frontal limpa para os planos de produto e beleza, contraluz para silhuetas e borrifadas em slow motion, e feixes de luz em movimento que atravessam o quadro e criam sombras em deslocamento.

Studio reference
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O estúdio vira um espaço de experimentação onde simulamos a energia da rua com a precisão do ambiente controlado.

A ideia é trazer para o estúdio uma esteira de corrida para filmar os talentos em slow motion, capturando o impacto de cada passada, o suor, a respiração, o corpo em esforço com total controle de luz e enquadramento. Luzes em trilhos se deslocam pelo set criando a sensação de luzes passantes, como se o corredor estivesse em movimento pela cidade; sombras que se movem pelo corpo, filtros ópticos que distorcem e texturizam a imagem.

O estúdio opera em dois registros: fundo branco e tons neutros para os momentos mais clássicos de packshot e macro, e o telão com projeções de ondas, raios e texturas orgânicas para conectar o ambiente controlado à natureza, criando profundidade sem sair do set.

PALETA VISUAL

Rosas, verdes, azuis profundos. Um azul com pegada de raio X, meio néon.

A paleta transita entre tons quentes e frios com intenção narrativa. Essa estética mais analógica convive com imagens sensoriais e poéticas de natureza e corpo.

Filtros de efeito fazem parte da minha linguagem. O filme da Discord no Rio de Janeiro, e o filme da Zara, ambos trazem essa camada de filtro que distorce levemente a imagem, criando flares e texturas ópticas. Esses filtros entram dosados, intercalados com imagens cinematográficas, mantendo o equilíbrio entre as diferentes linguagens.

O arco visual do filme: o quente dourado do pôr do sol migrando para o frio azulado e néon da cidade à noite. A transição de temperatura será a representação metafórica entre o calor da corrida e o refrescante da fragrância Kaiak.

Visual palette reference
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MANIFESTO

Tudo começa com o calor.

Um corpo que acorda, uma respiração que acelera, a primeira gota de suor na pele.

Lá fora, o sol já está alto. A cidade pulsa. O asfalto irradia.

Alguém corre. O vento levanta o cabelo, passa pela nuca, leva embora o peso do dia.

No horizonte, uma onda se forma, cresce, arrebenta.

O spray sobe como um suspiro do mar.

A mesma névoa que sai do frasco.

A mesma frescura que escorre pelo corpo depois de correr, depois de mergulhar.

Uma borrifada. Um mergulho. Uma brisa.

Natura não perfuma. Natura refresca.

Natura é o que fica na pele depois que o momento passa.

PRODUÇÃO

Duas diárias de filmagem.

Diária 1: Abrimos a diária na orla da praia, para shots de contemplação do mar, com a galera correndo na beira da água com natureza de fundo. Em seguida, partimos para o estúdio. Lá, iremos filmar produto, macro de embalagem, e cenas mais precisas de corpo, suor, respiração, borrifadas em slow motion, silhuetas em contraluz. Robot arm para movimentos de câmera precisos em macro de produto e takes de corpo.

Diária 2: Usaremos a segunda diária para executar externas na cidade, com texturas urbanas durante a golden hour e o começo da noite. Iremos capturar cenas de corrida, movimento, drone com spotlight seguindo personagens, além de planos em contraluz, silhueta e planos abertos.

Complementando: imagens de banco de natureza curadas e selecionadas por mim, além do meu acervo pessoal.

EDIÇÃO

A montagem é o coração do filme.

Match cuts são a cola: o spray de uma onda corta para uma borrifada de perfume, que corta para alguém correndo, que corta para um macro de suor descendo pelo corpo. O ritmo é sensorial; cada transição conecta natureza, produto e corpo em uma cadeia de frescor.

Imagens de banco curadas por mim, somadas ao meu próprio acervo filmado com câmeras de cinema, complementam o material captado nas diárias.

Editing reference
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PRODUTO

O frasco como objeto de desejo.

Trabalharemos macro em movimento: o frasco girando lentamente sob luzes que passam, revelando reflexos, transparências e texturas do vidro e do líquido. Borrifadas em slow motion com contraluz transformam o spray em névoa, em respiro, em frescor visível.

A câmera se aproxima até o ponto em que o produto vira paisagem.

Para os packshots, alternamos entre dois tratamentos: o primeiro é limpo e sofisticado, com fundo neutro, iluminação controlada e o produto como protagonista absoluto. O segundo integra o produto ao mundo do filme: projeções de ondas e texturas orgânicas no telão atrás, feixes de luz em movimento cruzando o quadro, gotas de água no vidro. O frasco existe dentro do mesmo universo sensorial que os corpos, a natureza e o movimento.

Os match cuts são a conexão entre produto e experiência. Uma borrifada do frasco corta para uma onda quebrando; o spray no ar corta para o suor descendo pela pele; o líquido dentro do vidro corta para a água do mar. O produto nunca está isolado da sensação que ele representa.

Product reference
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Product reference
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OBRIGADO

A Natura tem um universo visual que me inspira genuinamente, e sinto que a minha linguagem se conecta de forma natural com o que vocês estão buscando para Kaiak.

Fico à disposição para construirmos isso juntos.

Gab Novis
Treatment by Ghost 2026